Ciro defende leis mais rigorosas para combater jogos mortais na internet

Ana Volpe Agencia SenadoO impacto que o jogo virtual “Baleia Azul” vem causando na sociedade foi assunto de discurso do senador Ciro Nogueira (PP/PI), nesta quarta-feira (26). Ciro lamentou que crianças, adolescentes e jovens estejam se automutilando e cometendo suicídio por influência do jogo e destacou a importância da mobilização social e política para combater esse tipo de crime. Nesse sentido, o senador falou sobre projeto (PLS 664/2015) que apresentou para tornar mais rigorosas as penas para quem incentiva a automutilação em jovens e crianças e disse que está estudando opções para incluir na lei dispositivos específicos para coibir a prática do jogo Baleia Azul.

Segundo avaliou o senador, o jogo, que está tirando a tranquilidade das famílias, se aproveita da vulnerabilidade de jovens e adolescentes que já sofrem as pressões mais diversas, como por exemplo o bullying.

“A influência e alcance das redes sociais colaboram para que esse sistema de controle psicológico tenha ampla repercussão. Crianças e adolescentes passam cada vez mais tempo em frente ao computador e acabam suscetíveis aos perigos mais diversos do mundo cibernético”, disse.

Ciro ressaltou que inúmeros casos de tentativas de suicídio e automutilação registrados em várias cidades do país estão sendo investigados por possível ligação com o jogo da Baleia Azul. Ao falar sobre a mobilização de pais, polícias de todo o país e da sociedade para combater esse tipo de ação, o senador alertou para o poder de intimidação e indução que esse sistema virtual tem sobre os jovens.

O senador lembrou reportagem recente, divulgada pelo programa “Fantástico”, sobre os casos de jovens assediados na internet para fazerem parte de grupos que praticam automutilação. De acordo com a matéria, para serem aceitos pelos grupos, meninos e meninas lesionam o próprio corpo e divulgando fotos e vídeos na internet.

 “O Congresso tem papel de zelar pela sociedade e agir para evitar o crescimento de atos criminosos desse tipo. Minha preocupação acerca desse assunto não é recente. Em 2015 apresentei um projeto para incluir na legislação o crime de induzimento, instigação ou auxílio à automutilação de criança ou adolescente”, informou Ciro ao defender que esse tipo de ato merece uma punição severa.

Mais rigor

 O PLS 664/2015 preenche uma lacuna na lei atual, que já pune o incitamento ao suicídio e ao crime, mas não ao autoflagelo ou à automutilação. 

O projeto prevê penas que vão depender da gravidade dos danos ao jovem. Para quem incentivar a automutilação, a pena é de detenção que pode irde seis meses a um ano. No caso da lesão corporal se consumar, varia de um a dois anos de reclusão e se a lesão corporal for grave, pode chegar a três anos. Se a ação resultar em morte, a punição aumenta: de dois a seis anos de detenção.

“Ao tornamos mais severas as penalidades, pretendemos desencorajar esse tipo de ação. Não podemos deixar nossos jovens à mercê de predadores que se escondem no anonimato da internet”, enfatizou o senador. 

Por esse motivo, Ciro pediu o apoio dos parlamentares para aprovar rapidamente o projeto e explicou a importância do amparo da lei para combater o crescimento desse tipo de prática criminosa.

“Esse é um grave problema de segurança e saúde pública e é uma questão que nos sensibiliza muito. Considero debates dessa natureza extremamente importantes aqui no Parlamento para que, juntos, possamos dar uma resposta assertiva à sociedade e evitar que esse mal continue a atormentar as famílias brasileiras”, afirmou o senador.