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Litoral do Piauí abriga santuário do peixe-boi marinho no Brasil

Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2011, (16h58).
Última atualização em Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2011, (16h58).
foto: Francisco Leal [ccom-pi]
foto: Francisco Leal [ccom-pi]

O peixe-boi marinho, o mamífero aquático mais ameaçado de extinção do mundo, encontrou no litoral do Piauí, a 380 quilômetros de Teresina, um lugar de águas claras e tranquilas para procriar e fugir do risco de desaparecer. Sua população, que beirava aos 20 animais no início dos anos 1980, hoje já é estimada entre 35 e 40.

Cajueiro da Praia, um pequeno município de pouco mais de 7 mil habitantes, na divisa com o estado do Ceará, abriga este estuário que é mantido com esse status graças a uma parceria informal de ambientalistas e da população, que busca fomentar o desenvolvimento sustentável da região.

Para o leigo, o pequeno crescimento da população pode parecer estranho, mas para a analista ambiental Patrícia Claro, da base avançada multifuncional do Centro de Mamíferos Aquáticos, que funciona no município, a baixa taxa reprodutiva do peixe-boi registrada no Piauí é normal. “A reprodução do peixe-boi é mesmo muito lenta, só acontece de três em três anos, entre os meses de outubro e março”, explica.

A população de peixe-boi no Brasil é estimada em 500 animais, dos quais 200 estão na costa Nordeste e Cajueiro da Praia foi o primeiro município brasileiro a receber o título de Patrimônio Natural do Peixe-Boi Marinho, tornando a prefeitura local responsável pela proteção dos mamíferos aquáticos e seus habitat, que inclui estuários, rios e mar.

O mamífero tem uma média de 500 a 550 quilos de massa e um comprimento médio de 2,8 a 3 metros, embora já tenha sido avistado animal de até 3,6 metros e mais de 1,7 mil quilos. As fêmeas tendem a ser maiores e mais pesadas e um filhote, ao nascer, tem uma massa média 30 quilos.

Metade do dia de um peixe-boi é gasto dormindo na água, subindo para tomar ar regularmente em intervalos não superiores a 20 minutos. Nos seus mergulhos normais fica de um a cinco minutos debaixo d'água. Em repouso, pode permanecer até 25 minutos submerso, sem respirar.

Trabalhando na região desde 1991, a paulistana Patrícia Claro, faz parte de uma equipe de dez pessoas que atua na defesa e preservação do peixe-boi no Piauí. São técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), funcionários da prefeitura e estagiários. Segundo ela, o peixe-boi chegou ao Piauí bem antes dos colonizadores europeus. “O Piauí tem uma área bem preservada e isso é fundamental para a preservação da espécie”.

 

Fonte: CCOM Piauí